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A nova relação de Israel no oriente médio como evidência do imortal Realismo político.

A nova relação de Israel no oriente médio como evidência do imortal  Realismo político.

O Estado de Israel, desde sua criação em território palestino em 1948, foi marcado por movimentos de resistência da população local e regional que repudiam e deslegitimam o Estado israelense como um todo, dizendo ser este um invasor sem nenhuma autoridade para governar devido à sua imoralidade ou por sua gênese violenta. Porém, mais de sete décadas se passaram e o Estado israelense não só permanece vivo, como se expandiu territorialmente. O fenômeno se torna ainda mais interessante quando se leva em conta o fato de que alguns Estados árabes como os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito e Jordânia passaram a legitimar o Estado de Israel, abrindo espaço para relações diplomáticas e econômicas entre eles.

Sendo assim, mesmo com a maioria do povo árabe sendo contrário ao Estado de Israel, este se fortalece com o reconhecimento dos mesmos Estados árabes que supostamente representam o seu povo. Isso porque, como já dizia E.H Carr: “a moral não é o cerne da política internacional e sim a questão de como se adaptar e sobreviver no sistema internacional”.[1]

Essa normalização das relações diplomáticas entre Estados árabes e Israel que possuem um extenso histórico de violência e hostilidades se deve em parte como um contraponto a uma ameaça em comum: A atuação do Irã na região. O país descendente do antigo Império persa, hoje, é uma potência nuclear que tem interesse em expandir seu poder pelo oriente médio e defende abertamente a destruição de Israel e a implementação de uma teocracia islâmica xiita que se choca diretamente com a Arábia Saudita (outro gigante da região), que tem por forma de governo uma teocracia islâmica sunita. 

Ao examinar a questão inserindo o Irã e seus interesses, podemos olhar a abertura das relações diplomáticas entre Israel e países árabes a partir de alguns princípios do realismo político formulado por Hans Morgenthau, particularmente o segundo princípio diz que “O interesse dos Estados é sempre definido em termos de poder” e o quarto princípio onde: “Os princípios morais universais não podem ser aplicados aos atos dos Estados, senão filtrados e analisados a partir das circunstâncias de tempo e lugar”.[2]

Sendo assim, fica evidente a relação entre fato e teoria. O povo árabe olha para Israel como uma instituição imoral e ilegítima, mas os Estados colocam a sua segurança como prioridade independentemente das questões morais envolvidas, pois neste tempo e lugar existe um inimigo (Irã) que ameaça tanto os Estados árabes quanto o Estado israelense.

Apesar desse fenômeno político ter demonstrado que as ideias principais do realismo político se mantiveram vivos, existem diversos fatores complexos que compõem a realidade e que o Realismo político falha em considerar. Nesse aspecto, o Realismo dá demasiada ênfase na racionalidade dos atores internacionais e dos Estados, desconsiderando a força que ideologias possuem, seja essa ideologia religiosa ou política. Alguns exemplos são os kamikazes japoneses ufanistas e homens-bombas que se matam a si e à outros por acharem que suas ações representam um ato de fé. Evidenciando o complexo paradoxo do homem como um animal racional que é ao mesmo tempo irracional, tanto que não são necessariamente pessoas desprovidas de inteligência ou com pouca educação que cometem atos deste tipo, existem diversos relatos de fanáticos religiosos que foram educados nas melhores escolas e universidades do mundo. Esse aspecto deixa uma lacuna muito grande na análise Realista, algo que as teorias pós-positivistas perceberam e defendem uma maior compreensão do todo e uma necessidade de melhor reflexão para cada fenômeno ou caso. 

A partir destes argumentos, é possível afirmar que os fenômenos políticos têm sempre tendência aos interesses em termos de poder, porém para que um fenômeno seja entendido com maior precisão é preciso levar em conta a natureza complexa dos seres humanos, e das ideologias que existem, além de entender que sempre há particularidades e exceções que fazem de uma ambiciosa “lei geral” da política algo impossível.

As teorias pós-positivistas trazem críticas que complementam a teoria Realista apontando e criticando corretamente a tentativa de implementar uma cientificidade semelhante àquela das ciências naturais à uma ciência humana, mas em momento nenhum pode-se dizer que estas teorias suprimem o evidente Realismo político atuante nas Relações Internacionais.

 


Referencias:

[1] SARFATI, Gilberto. Teorias de Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, p. 89 2005.

[2] MORGENTHAU, Hans. A POLÍTICA ENTRE AS NAÇÕES: a luta pelo poder e pela paz. São Paulo: Unb, p. 6-20, 2003.

 

Internacionalistas em Debate

UCAM Academy
Arthur Chagas dos Santos
Arthur Chagas dos Santos Seguir

Estudante de Relações Internacionais.

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